Site - 19/09/2011 – segunda-feira
Com o lançamento nesta segunda-feira (19/9) do Brado Retumbante, o jornalista Paulo Markun concedeu entrevista exclusiva ao Comunique-se. Ele revela quando surgiu a ideia de criar o portal, que traz relatos de jornalistas e artistas sobre a Ditadura Militar do Brasil, como a morte de Vladimir Herzog, que era funcionário da TV Cultura.
Após realizar 70 entrevistas, Markun afirma que mais pessoas, inclusive anônimas, terão espaço no novo portal, que será atualizado com a produção de novo material. Brado Retumbante também relembra a campanha pelas "Diretas Já".
Quando surgiu a ideia de criar o "Brado Retumbante"?
Em 1986 coordenei na Unicamp uma série de palestras e entrevistas de personagens que haviam tido destaque na luta pela democracia. Figuras que no palanque das Diretas tinham estado lado a lado, mas que àquela altura, seguiam seus rumos, de olho em 1989 e na primeira eleição direta para presidente: Almino Affonso, Leonel Brizola, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Gabeira, entre outros.
Teve algum outro trabalho seu que lembrava este projeto?
Resolvi escrever um livro que juntasse a biografia de alguns personagens então contemporâneos com a lembrança da história mais recente. O projeto parou, retomei em 2010 e decidi começar por um site, que permite resgatar a memória coletiva daqueles tempos - trazendo para o cenário os anônimos que tiveram tanta importância quanto as personalidades.
Nos depoimen-tos de jornalistas já anunciados pe-la equipe do por-tal, há relatos de tortura sofrida por estes profis-sionais durante a ditadura?
Sim. Rodolfo Konder relata a morte de Vladimir Herzog e seus desdobramentos. Há outros depoimentos sobre a tortura e também sobre a luta contra a censura, com curiosas revelações de Carlos Brickmann, Miguel Jorge, Carlos Nascimento, Ricardo Kotscho, José Luiz Teixeira...
Como funcionará a atualização do site? Novos depoimentos estão sendo planejados?
A primeira lista tinha 130 nomes. Consegui gravar 70. O ex-presidente Lula falará na próxima semana. E pretendo continuar o trabalho.
Qual a importância que você dá aos jornalistas que participaram da campanha pelas "Diretas Já"?
Fomos uma peça a mais. Inflamos os números nos comícios e tomamos partido. Mas quem fez a festa foi o povo mesmo. Como costuma e deve ser.
Link: http://www.comunique-se.com.br/Conteudo/NewsShow.asp?idnot=59735&Editori...
Link: http://www.comunique-se.com.br/Conteudo/NewsShow.asp?idnot=59735&Editori...

