Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

A mídia e as Diretas

O primeiro jornal a se engajar efetivamente Campanha das Diretas foi a Folha de S. Paulo. Aqui, vários jornalistas- da Folha e de outros veículos - tratam do assunto. E reconhecem que a militância a favor da democracia os levou a inflar muitos cálculos das multidões. Na reta final, todos os jornais e as emissoras de rádio e TV (limitadas ainda pela censura que já não existia na imprensa escrita) passaram a tratar do assunto. Faltou pouco para a Folha arvorar-se em ombudsman dos concorrentes: no dia 22 de janeiro de 1984, o repórter Hamilton de Souza publicou uma reportagem mostrando que os telejornais simplesmente ignoravam as diretas. Nos dias anteriores, dizia Hamilton, o Bom Dia Brasil da Globo havia apresentado inclusive a agenda dos presidenciáveis do PDS, mas silenciara sobre a campanha. O Jornal da Manchete dera ampla matéria sobre o aniversário de Figueiredo. Mas as duas emissoras tinham silenciado quanto ao ato pró-diretas, realizado no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo, com a presença de 1.500 pessoas e do governador Montoro. A TV Cultura fora até lá, mas sua matéria mencionava o presidente regional do PSDB, Fernando Henrique, mas não a do presidente do PT, Devanir Ribeiro. A vaia recebida pelo secretário do Planejamento de Franco Montoro, José Serra também ficara de fora.

No dia 24, as TVs deram matéria sobre o lançamento oficial da candidatura de Mário Andreazza, que teve a presença de 222 convencionais (quase o dobro que os reunidos por Maluf, além de sete governadores de Estados e dois de territórios.