Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

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Lembranças do primeiro debate na TV

Na disputa pelo voto direto para o governo dos estados, em 1982, um fato novo foi o uso da televisão. Com a censura abrandada pela abertura política no governo João Figueiredo (e que começara com seu antecessor, Ernesto Geisel) a oposição conseguiu espaço para responder aos ataques do candidato do governo num evento inédito: um debate ao vivo.

Composição do MDB

A palavra chave para a compreensão da composição do Movimento Democrático Brasileiro é heterogeneidade. As origens partidárias dos filiados ao partido são diversas – assim como acontece na Arena –, não apenas por uma “conseqüência natural do modo artificial pelo qual foi estabelecido o bipartidarismo, mas também refletia a falta de clareza do caráter ideológico e representativo dos antigos partidos políticos”, como aponta a historiadora Maria D'alva G. Kinzo.

Eleições de 1982

As primeiras eleições diretas para governador após o golpe militar (e a parcial de 1965) aconteceram em 15 de novembro de 1982 e foram o maior pleito da história política do país, até então. O eleitor podia escolher seis cargos: governador, senador (uma vaga), deputado federal, deputado estadual, além de prefeito e vereador.

Generais no poder

João Baptista de Oliveira Figueiredo foi o último general a chegar à presidência da República na ditadura. A ele caberia completar o projeto de abertura lenta, segura e gradual planejado pelos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, entregando o poder a um civil alinhado com os princípios da Revolução de março de 1964.

MDB e Arena

O golpe militar de 1964 não acabou imediatamente com os partidos políticos existentes, muito embora o primeiro dos Atos Institucionais tenha sido acompanhado por uma lista de cassações que levou vários políticos ao exílio. Nos primeiros momentos, o regime militar buscou apresentar-se como uma espécie de freio de arrumação destinado a repor o país no rumo da democracia.

AI-5

Quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar, o Ato Institucional nº5 é diferente dos demais. Tido como um divisor de águas, ele marca o início do que se convencionou denominar “Anos de chumbo”, o recrudescimento do regime, que, à época, se concentrava nas mãos de militares linha-dura.

Atos Institucionais

O instrumento utilizado pelos militares para impor a nova ordem foram os atos institucionais. Era uma forma de dar alguma legitimidade ao que era um desrespeito a divisão de poderes que sustenta a República.

Paulo Evaristo Arns: o cardeal enfrenta a repressão

Paulo Evaristo Arns nasceu na localidade de Forquilhinha, lugarejo do município de Criciúma, na ponta extrema do Estado de Santa Catarina, a 14 de setembro de 1921, no sobrado construído por seu pai onde nasceram também quase todos os seus irmãos. Até os 12 anos ele viveu em Forquilhinha, primeiro nessa casa, em cujo andar térreo funcionavam o armazém da comunidade e uma hospedaria administrada por dona Helena Steiner Arns, e, depois, nas outras duas casas igualmente construídas por Gabriel Arns.

Tancredo Neves: a oposição prudente

Quinto dos doze filhos de Francisco de Paula Neves, um misto de comerciante e político com Antonina de Almeida Neves, Tancredo de Almeida Neves, nasceu em São João del Rei a 4 de março de 1910. Jogou futebol quando garoto, mas acabou se tornando um craque na política. Foi deputado, ministro, governador e presidente eleito - o primeiro da oposição. Mas não assumiu o cargo.