Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

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O Comício da Sé

Num almoço de confraternização com repórteres políticos, no final de 1983, o governador Franco Montoro deu um passo decisivo na campanha das diretas. De acordo com João Russo, editor de política da Folha na época, quem tomou a iniciativa de cobrar mais atuação em favor da campanha foi Galeno de Freitas, colunista e repórter do jornal.

Cobertura da Globo

Há uma interminável polêmica sobre a cobertura que a TV Globo dispensou ao comício da Campanha das Diretas, em 25 de janeiro de 1984, na Praça da Sé. A própria emissora apresenta o depoimento de vários profissionais envolvidos na cobertura. O projeto Brado Retumbante pediu para ouvir alguns deles, mas a assessoria de comunicação informou que isso não seria possível, pelo fato do material vir ser disponibilizado no Youtube - com quem a Globo ainda negocia a inserção de conteúdos.

O caso de Calabar

A ação da censura no regime militar está em boa parte, documentada. No caso dos jornais, as "recomendações" chegavam por telefone ou telex e muitas vezes iam parar no lixo, tão logo o assunto deixasse de ter atualidade. Nos veículos submetidos à censura prévia, como O Estado de S. Paulo, Veja, Opinião, Movimento, O São Paulo, entre outros, ainda há o que divulgar. O projeto do Instituto Vladimir Herzog, Resistir é preciso - http...

A solidariedade aos grevistas

A greve dos metalúrgicos do ABC de 1980 marcou uma virada na história do Brasil. Toda a sociedade civil se mobilizou em apoio à greve. No Rio de Janeiro, várias organizações comunitárias e sindicatos organizaram o Fundo de Apoio à Greve dos Metalúrgicos. Formou-se um comitê de organização que incluía gente de todos os grupos de oposição aos militares, gente da Igreja, intelectuais e artistas, professores e sindicalistas.

Censura

A censura não se instalou nas redações imediatamente após o golpe militar. Grande parte dos jornais apoiava o movimento. Os jornais esquerdistas foram fechados sem mais. A Última Hora, que imprimia mais de 100 mil exemplares por dia no Rio e em Recife, foi empastelada. certamente tentaria resistir, empastelados. Seu dono, Samuel Wainer, ainda estava asilado na embaixada do Chile quando recebeu a primeira proposta de compra do jornal, vinda de um grupo de empreiteiros de obras públicas.

Passeata dos Cem Mil

Para alguns, a chamada Passeata dos Cem Mil não teve tanta gente assim e só ficou conhecida por esse nome graças a mais uma sacada marqueteira do jornalista Samuel Wainer, em busca de uma manchete impactante para sua Última Hora. Outros, como o então líder estudantil Franklin Martins, asseguram que o mar de gente pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, no dia 26 de junho de 1968 – ano de extensa movimentação estudantil, ano do AI-5 – foi ainda maior.

Anistia

No dia 2 de abril de 1964, o jornalista Austregésilo de Athayde publicou um artigo no Diário da Noite, pedindo anistia para os derrotados e a devolução do poder aos civis.

Terrorismo de Estado

Durante a ditadura, do lado do governo, houve quem considerasse até as decisões de governantes sem voto (como os atos institucionais), insuficientes para controlar a sociedade e enquadrar a oposição. E partiram para o terror. Os atentados mais radicais foram abortados pela insubordinação de um militar.

Diretas Já

Desde que o primeiro ato institucional permitiu a eleição indireta do marechal Castelo Branco, as diretas passaram a fazer parte do programa da oposição. Mas durante um longo tempo, a tese aparecia em segundo plano, ofuscada pela proposta de uma assembleia nacional constituinte, sem a qual, imaginavam políticos e teóricos, seria inútil restaurar o voto direto.