Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

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A violência em letra de forma

As punições baseadas em atos institucionais não foram o único instrumento da repressão. Houve também a tortura. O primeiro caso notório foi o do líder comunista pernambucano Gregório Bezerra, preso quando tentava armar uma resistência armada no interior.

SNI

O Serviço Nacional de Informações nasceu em julho de 1964, mas há muito tempo a espionagem operava no país. Desde 1956, o serviço secreto brasileiro teve cinco siglas diferentes – Sfici (Serviço Federal de Informações e Contra-informação), SNI (Serviço Nacional de Informações), DI (Departamento de Inteligência), SSI (Subsecretaria de Inteligência) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência) – e ocupou diversas posições dentro da estrutura do Executivo.

Greves do ABC

Na edição de primeiro de abril de 1964, o Jornal do Brasil informou que Comando Geral dos Trabalhadores decretara greve geral “em apoio ao Presidente João Goulart, paralisando de imediato os trens da Central do Brasil e da Leopoldina, o Porto de Santos e os bondes da Guanabara, com a adesão de universitários.”

A notícia não se confirmou: a greve anti-golpe não foi geral, nem capaz de manter Jango no poder. As lideranças sindicais que não foram imediatamente presas simplesmente debandaram.

Frente Ampla

Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara e participante ativo do golpe de 1964 logo se desencantou com o regime militar, que acabou com a democracia e barrou seu caminho até a presidência.

José Dirceu: um líder inquieto

Aos 22 anos, o líder dos estudantes paulistas era mineiro, mas nem um pouco discreto. Do teto de um ônibus ou da marquise de um edifício, era ele quem insuflava a multidão com gritos e gestos largos durante as passeatas. No dia seguinte, sua figura esguia e cabeluda ilustrava a primeira página de todos os jornais.